"...chuva, vagueia em minha vida
ao comando do destino
a espera do próximo passo"
Sunny Lóra
Faz frio lá fora. Aqui dentro, faz tempo. Ele não vem mais, eu disse pra não vir e ele é obediente, os meninos são obedientes. Meninos? Ele não é como os meninos. Os meninos são rótulos, ele não. Faz tempo. Ele? Faz tempo.
Era sábado e chovia. Os faróis da avenida principal estavam todos vermelhos. Os meus, verdes. A chuva fina que caía formava desenhos no ar com a ajuda dos olhos dos carros. Certamente algo de especial aconteceria naquela tarde-noite de maio. Calças molhadas, pés descalços, ele subia desesperadamente as escadaria do velho prédio de fazer arte. Esbarrei com ele, o menino velho. Era três de maio e parou de chover. Faz tempo.
Meio atabalhoado fiquei olhando para seu encantador farol. Eram amarelos – eu deveria ter prestado mais “atenção” neste detalhe. E então num repentino movimento toquei seus lábios – não foi um beijo. O menino, ficou parado na escada. Eu, subi e desci as escadas e ele continuo lá. Aquilo me deixou tão absolutamente impressionado que pensei ser possível parar o tempo. O tempo? Faz tempo.
Hoje, o menino não vem mais, eu sei. Ficou lá, na escada. Faz tempo.
Só voltou a chover em dez de maio. Lá na escada, o menino tentou tocar meus lábios – era um beijo. Eu declinei. Subi as escadas. Desci. O menino ainda estava lá. Beijei. Voltou a chover. E não parou mais. Faz tempo.
Em pensar que neguei o primeiro beijo. Hoje não consigo seguir sem dar o ultimo abraço antes de pegar o bonde. Ultimo mesmo será o dia em que olhar pra dentro de mim e não ver mais o rosto marcado pelas expressões cativas de meu primeiro-único amor. Menino velho, volta logo. Faz tempo. Frio. Está parando de chover.
Era sábado e chovia. Os faróis da avenida principal estavam todos vermelhos. Os meus, verdes. A chuva fina que caía formava desenhos no ar com a ajuda dos olhos dos carros. Certamente algo de especial aconteceria naquela tarde-noite de maio. Calças molhadas, pés descalços, ele subia desesperadamente as escadaria do velho prédio de fazer arte. Esbarrei com ele, o menino velho. Era três de maio e parou de chover. Faz tempo.
Meio atabalhoado fiquei olhando para seu encantador farol. Eram amarelos – eu deveria ter prestado mais “atenção” neste detalhe. E então num repentino movimento toquei seus lábios – não foi um beijo. O menino, ficou parado na escada. Eu, subi e desci as escadas e ele continuo lá. Aquilo me deixou tão absolutamente impressionado que pensei ser possível parar o tempo. O tempo? Faz tempo.
Hoje, o menino não vem mais, eu sei. Ficou lá, na escada. Faz tempo.
Só voltou a chover em dez de maio. Lá na escada, o menino tentou tocar meus lábios – era um beijo. Eu declinei. Subi as escadas. Desci. O menino ainda estava lá. Beijei. Voltou a chover. E não parou mais. Faz tempo.
Em pensar que neguei o primeiro beijo. Hoje não consigo seguir sem dar o ultimo abraço antes de pegar o bonde. Ultimo mesmo será o dia em que olhar pra dentro de mim e não ver mais o rosto marcado pelas expressões cativas de meu primeiro-único amor. Menino velho, volta logo. Faz tempo. Frio. Está parando de chover.
Diogo Avlis