quarta-feira, 17 de março de 2010

Pelo enquanto.

"Luz e sentido e palavra, palavra é.
Que o coração não pensa.”

A menina dos cachos negros abriu sua janela e avistou lá em baixo ele, o menino velho. Ele estava parado, como sempre. Ela amarrou seus cabelos ao topo e correu as escadas de sua casa ao encontro dele. Parado do lado de dentro, ouvia do lado de fora, uma musica que brotava de sua boca falando sobre “o escuro do mundo”. Com dois giros metálicos rompia a barreira de madeira para que pudessem se encontrar. Um olhar sincero seguido de um abraço mal dado, escondido, não de si mesmos, mas dos grandes olhos inquisidores que julgavam a todo instante, mas eles não ligavam mais pra isso. Trocaram algumas palavras, significados. Silenciaram um pouco, logo após, ela baixou os olhos enquanto ele justificava sentidos compreensíveis e tristes. Ela entendeu sem concordar e se despediram pra se encontrarem em outra hora. A menina estava decidida a fazer algo importante, e o menino simplesmente passou por lá, no seu próprio tempo. A vida negocia seus oportunos em ocasiões aleatórias, algumas pessoas chamam isso de destino. O menino trouxe a notícia que ela precisava para dar mais um passo em suas próprias convicções. Do outro lado da cidade um homem magro e alto fazia contas na sua maquina de calcular. Coçou a cabeça preocupado, mexeu uma ou duas vezes no celular, mas não teve coragem. Ele pressentia o que o esperava. A menina tomava um banho gelado enquanto ele bebia seu café quente, sem açúcar. Ele batia seu cartão de ponto enquanto ela batia na porta conferindo mais uma vez se alguém havia chegado nos 201. Ele chegou, ela viu da janela. Dois giros metálicos na parede de madeira e se encontraram em olhar. Silêncio. Ele abriu a boca e ela pediu pra que ele não dissesse nada que agredisse a qualquer um. Então o homem magro foi em sua direção e a abraçou. Ela disse: A culpa não é sua. O homem olhou com olhos escorridos, desviando seu caminho por através dela respondendo: Nunca é, minha amiga. Subindo os degraus da escada dolorosamente enquanto cantava uma musica que falava algo sobre “me transformar no que te agrada”. Enquanto isso o menino velho dormia em sua cama macia, acompanhado de seres inanimados preenchidos de intenções e afetos racionalmente incompreendidos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Seguindo :) Gostei do post. O começo parece Twilight HAHAHA desculpa, quis fazer piadinha super sem graça!